Esse blog começou guardando os textos publicados semanalmente no site argumento.net, coluna Soundtracks. Mas isso tudo mudou há horas.

Segunda-feira, Abril 23, 2007

To pensando em colocar o Jigg pra acompanhar os contos.

Terça-feira, Abril 17, 2007

Quem é o Nostradamus da tecnologia?

(em 2004, eu escrevia para um site chamado Poavibe, ainda encontro coisas cá e lá em hdz diversos e ponho aqui)




Esses dias eu respondi a uma pergunta um tanto quanto repetitiva sobre o futuro das publicações impressas diante da digitalização dos processos de produção e distribuição de conteúdo (pra falar a verdade, a pergunta ficou mais interessante agora que eu dei uma mexida na retórica da mesma). Obviamente, minha resposta não foi radical, até porque é sempre importante duvidar sobre tendências e promessas. Quem não ouviu falar que a internet terminaria com a ética, o direito autoral, o livro e se bobear a sua privacidade? Claro, óbvio, você já pensou em 3234 exemplos de onde os aspectos éticos, sociais e autorais são colocados em xeque todos os dias em uma URL secreta com o último disco inteirinho pra baixar do Strokes ou como acessar a um streaming de uma casa noturna Porto-Alegrense 24/7. E esses exemplos existem, mas meu ponto aqui não é negar que a internet traz uma série de questionamentos fundamentais para o mundo e para nossos conceitos e sim tentar dizer para as pessoas pararem de absolutizar tudo, que é o papel que certos especialistas de diversas áreas do conhecimento adoram fazer. “Os videogames estimulam a violência!”, “os limites foram ultrapassados”, “trocar arquivos é pilhagem”, “o livro vai morrer”, “o cinema vai morrer”. É muita matança, mesmo em tempos de terrorismo. Que tal matar menos e pensar mais? Ou ainda, que tal tentar prever menos e fazer mais? Que tal parar de concluir apressadamente “blogs são diários”, “chats são lugares de mentirinha” e começar a dar menos bola para os Nostradamus da tecnologia. O livro não morreu e com um pouco de esforço você pode testemunhar, participar ou até protagonizar debates éticos e desenvolvimento de produtos culturais em co-autoria (hey, não é isso que o poavibe é também?).

Não acho a tecnologia redentora ou assassina, ou melhor, ela até pode exercer estes papéis, mas ela continua em função de quem a coloca in motion: nós, os bons e seculares seres humanos, mais preocupados em fazer previsões (a paranóia meteorológica tomou conta geral) do que em realizar alguma coisa com o que existe. Antes de tentar achar os diversos Nostradamus da tecnologia, vá procurar alguém com a língua pra fora e o cabelo branco despenteado. Não aceite as respostas fáceis, relatividade rules.